Você na TV: Mafalda Luís de Castro e Fernanda Serrano
Falam sobre a novela Louco Amor
Entrevista exclusiva a Rita Guerra
Cedido pelo site da TVI
Chat com David Carreira
Cortesia do site da TVI
Você na TV: Ruy de Carvalho
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Entrevista – Simone de Oliveira
“Aos 74 anos já vivi uma vida cheia de tudo: de bom e de mau”

A actriz e cantora, que este ano assinala 55 anos de carreira, grava ‘Louco Amor’, onde vive um romance com Ruy de Carvalho, e prepara o lançamento de um disco de inéditos
Como é a sua personagem na novela ‘Louco Amor’, que a TVI estreia em breve?
Sou a Carlota. Uma viúva que passa a ter uma vida menos solitária quando acolhe em casa a filha de uma antiga criada, personagem interpretada pela Mafalda Luís de Castro.
Como é contracenar com Ruy de Carvalho?
Extraordinário. Gosto de ter os textos bem decorados quando gravo, mas quando vou contracenar com o Rui não me importo de ter de comer as palavras todas às três da manhã para ter tudo na cabeça. O Ruy é um senhor, um grande actor. Sente-se isso quando se trabalha com ele.
As vossas personagens apaixonam-se no enredo.
O objectivo é desmistificar a ideia de que a partir de determinada idade as pessoas não são capazes de amar. Estas duas personagens vão provar o contrário.
Como correram as cenas mais íntimas?
Não custou nada, tudo fluiu lindamente. Com a Simone e o Ruy é pé na tábua e fé em Deus!
Gravam à primeira?
À primeira. E quando assim não é deve-se a alguma razão técnica.
A Simone saiu de ‘Remédio Santo’ para entrar em ‘Louco Amor’. Como aguenta este ritmo aos 74 anos?
Ora aí está uma pergunta à qual não sei responder. Custa–me levantar às seis e meia da manhã. Quando isso acontece é difícil. Mas vêm buscar-me a casa e trazer-me.
É exagero ouvir um actor dizer que ficou afectado com a sua personagem?
Para mim, pessoa e actriz Simone de Macedo de Oliveira, é. Não quero morrer no palco. Tenho o meu lado dramático, mas o meu objectivo é ultrapassar sempre os obstáculos. Fui assim toda a vida. Vivo nesta casa sozinha há 17 anos e não é fácil nem cómodo.
Mas é a sua casa!
Nesta casa chorou-se, riu-se, celebraram-se Natais, o Varela [Silva] morreu aqui… É uma casa com muitas memórias.
Nunca pensou em refazer a sua vida afectiva?
Pela sua rica saúde… Não tenho paciência!
Só mesmo na ficção…
Só mesmo na novela! Vivi 23 anos com um homem inteligente, culto, amigo, companheiro… Com a idade tornamo-nos mais exigentes em relação às pessoas. Há homens definitos na minha vida: o meu pai, o meu filho e o Varela.
Mas como demonstra a sua personagem em ‘Louco Amor’, nunca é tarde para amar.
Não digo que não, mas aí é que as revistas cor-de-rosa iam adorar. Já estou a imaginar os títulos: ‘Ela, coitadinha, perdeu a cabeça! Logo ela que parecia uma senhora tão equilibradita’… Estou a brincar, mas a verdade é que, às vezes, estou cansada de almoçar e jantar com o tabuleiro nos joelhos, em frente à televisão. Mas saio e entro quando quero, não devo satisfações a ninguém. E não sei se, quando a pessoa se habitua a viver tantos anos sozinha, volta a conseguir partilhar tudo.
Fez a ‘Sagrada Família’, na RTP. Gosta do registo de comédia?
E fiz em 1985 ‘Gente Fina é Outra Coisa’. Ando há anos a pedir um papel cómico nas novelas. Fiz tanto teatro de revista e tenho um lado cómico que não é explorado. Nas novelas sou sempre a senhora dona, rica ou pobre. Gostava muito de fazer um papel mais popular ou até cómico.
O público português continua a gostar de ver novela?
A novela nacional é um produto de entretenimento que o público português gosta. As produções brasileiras são lindas, mas não são a nossa realidade. E a novela nacional melhorou muito, a todos os níveis: técnico, maquilhagem, decoração, textos…
Vê muita televisão?
Vejo o que me interessa, canais de música e noticiários, não tenho paciência para ver debates políticos, mas choro a rir com o Marcelo Rebelo de Sousa, que dava um actor do caraças. Eu até já lho disse. Acho-lhe muita graça.
Que outras figuras acha apelativas na TV?
A Judite de Sousa é uma mulher que se prepara muito bem.
Por que não gosta de debates políticos?
Não tenho paciência. Não vale a pena chover no molhado e nós não passamos disto, há anos. Ando muito inquieta com os buracos e os milhões de que ouço falar. Mas onde estão os milhões? Quem os levou? E aflige-me depois ouvir dizer que há crianças que desmaiam nas escolas com fome… Já viu o que ganham os homens das empresas? Setenta mil euros como o Catroga, quando o Presidente da República ganha 7500…
Como vê a TV dos reality shows?
Não tenho paciência para isso. É tudo gente feia de alma. Mas gosto muito de ‘A Tua Cara Não Me É Estranha’. Sou fã do programa e do Zé Raposo. Há ali trabalhos de muita qualidade.
A Simone ganhou muito dinheiro ao longo da sua carreira?
Devo ter ganho…
E gastou muito dinheiro?
Também gastei… Mas acho que não o gastei mal. Dei um curso aos meus dois filhos, paguei a minha casa, ajudo quem precisa à minha volta, a ponto de dizerem que tenho a mania de ser a madre Teresa da Calcutá. Mas não comparemos o que se ganhava há 30 anos com o que se ganha hoje.
Hoje um actor é bem pago?
Ganha-se bem a fazer televisão. O teatro continua a ser a forma menos sustentada e efémera de se ganhar dinheiro.
Um actor de televisão pode fazer um bom pé de meia?
Quando se ganha 45 mil euros por mês a fazer televisão dá para fazer um pé de meia. Mas eu não sei o que isso é, nem de longe nem de perto…
Como foi sempre a sua relação com o dinheiro?
É chapa ganha, chapa gasta. Aos 74 anos acho que vivi uma vida cheia de tudo: de bom e de mau. Tenho uma família óptima, vivo numa casa que está paga, tenho um carrito…
Gosta de conduzir?
Gosto e, às vezes, gosto de ir a abrir. Sempre tive carro, desde miúda.
Que carro gostaria de ter?
Um Audi topo de gama.
Não a intimida fazer viagens longas?
Já fui daqui a Málaga, sozinha, ter com uma amiga. Há sete anos. Levo a minha música, a minha água, os meus cigarritos… Hoje já não faço tantos quilómetros.
Nunca patrocinou uma marca automóvel?
Nunca! Podiam-me ter dado um automóvel, durante um ano, sei que há acordos com muita gente mais nova… Mas não. Paguei sempre os meus carros.
Não tem razões de queixa da Comunicação Social?
Nenhuma. Fui sempre bem tratada. Respeito muito o trabalho dos jornalistas, porque sei que é muito difícil entrevistar uma gaja que está chateada e não olha para a objectiva!
Vai lançar outro disco?
Vou tentar. Um disco de inéditos, não vou deixar de ser eu, mas vou procurar um som mais actual. Há pessoas que dizem que canto textos muito complicados, mas não acho que seja difícil cantar Eugénio de Andrade ou Vasco de Lima Couto. Estamos à procura de textos. Não quero um disco dramático, mas que seja um pouco mais dentro da onda mais serena que as pessoas hoje gostam de ouvir.
Que momentos marcantes recorda?
João Villaret, ter privado muito com Amália, a inauguração da Ponte 25 de Abril, ter conhecido David Mourão Ferreira, apertado a mão a Xanana Gusmão, e o 25 de Abril.
E no âmbito da sua carreira?
A ‘Desfolhada’, ‘A Tragédia da Rua das Flores’ ou ‘Alma Mahler’, a novela ‘Roseira Brava’ e o espectáculo dos 30 anos de carreira no D. Maria, dos 45 na Aula Magna e dos 50 anos de carreira no Coliseu.
Como gostava de ser lembrada?
Gostava que os meus netos se lembrassem que a avó era fixe e que aprenderam a jogar bowling comigo.
E o público?
Eles é quem sabem! Dei tudo: profissionalismo e dedicação.
PERFIL
Filha de pai belga e mãe portuguesa, Simone Macedo de Oliveira nasceu em 1938, em Lisboa. Estreou-se como cantora em 1958 e venceu o Festival da Canção Portuguesa, com ‘Desfolhada’. Fez teatro, rádio e televisão. Na ficção estreou-se com a novela ‘Roseira Brava, na RTP 1. Seguiu-se ‘Vidas de Sal’, ‘Filhos do Vento’ e ‘Senhora das Águas’. Na TVI integrou os elencos de ‘Morangos com Açúcar’, Tu e Eu’, ‘Vila Faia’ e ‘Remédio Santo’. Em 2011 fez ‘A Sagrada Família’, série de comédia na RTP 1. Viúva, Simone tem dois filhos e três netos com 16, 22 e 23 anos. Foi condecorada com a Grande Ordem do Infante.












